domingo, 14 de dezembro de 2008
Jantar de Natal
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Visita de estudo a Santa Vitória
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Sessão de abertura do ano lectivo 2008/2009
O senhor José Pedro Caldeirão, Presidente da Direcção da CURPI, interveio congratulando-se com o facto da Academia funcionar nas instalações desta instituição e manifestando todo o seu apoio, bem como dos outros corpos sociais para esta iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Campo Maior.
Paula Moreira encantou a assistência com uma canção de sua autoria e uma canção popular que todos acompanharam com entusiasmo.
Tina Murcela foi para os que não conheciam esta sua faceta de cantora, a grande surpresa da tarde. Uma voz límpida, bem timbrada tanto para o fado que foi cantado com alma, como para a canção ligeira cantada com alegria e ritmo, causando grande animação entre a assistência.
João Luís encerrou a sessão cantando alguns números do seu repertório, tendo entusiasmado a audiência que o acompanhou em coro. Terminou com as Saias de Campo Maior. Como era inevitável, logo ali se organizou um pequeno baile.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Abertura do ano lectivo 2008/2009
As actividades lectivas terão início no dia 13 de Outubro.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Ano lectivo de 2008/2009
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Direcção da Academia
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Final de ano lectivo
sábado, 14 de junho de 2008
Poemas de final de ano (2)
Quem havia de dizer
Nesta etapa da minha vida
A lição venho aprender.
A decisão p'ra Academia
Foi uma grande confusão
A Rita dizia sim
A Lourdes dizia não.
Depois dos prós e os contras
Tomamos a decisão
Serve-se o almoço a correr
P´ra não faltar à lição.
Maria de Lourdes Silva Furtado Pinheiro
Cantiga da viagem (2)
Somos crescidos
Mas não enferrujados
Mesmo apertando com a gente,
Demos conta do recado.
A nossa vida
É de grande canseira
Mas vamos sempre contentes
Nos passeios à quarta-feira.
(2 vezes)
Ai, ai, ai, ai
Que bom é ser crescidinho
Andar na Academia
P´ra levar um canudinho.
Os nossos mestres
São de boa qualidade
P'ra aprender a lição
Temos força de vontade.
Chegados ao fim
Férias vão-nos separar
E será só em Outubro
Que nos voltamos a encontrar.
(2 vezes)
Ai, ai, ai, ai
Que bom é ser crescidinho
Andar na Academia
P´ra levar um canudinho.
Letra de Maria de Lourdes Silva Furtado Pinheiro
Cantiga da viagem (1)
AULAS DE HISTÓRIA
Há professores feitos à força
Sem nenhuma vocação
O professor Xico Galego
É um grande sabichão.
Sabe toda a nossa história
Dos tempos que já lá vão
Fala do nosso passado
Com rigor e precisão.
Vais p´ras aulas
Vens das aulas
E com mais sabedoria
Foi uma batalha, uma guerra
Era o povo quem vencia
Descobrimos meio mundo
Por terras de além-mar
Mas foi D. João II
Dos maiores a reinar.
É um homem inteligente
E sabedor a valer
Enriquece assim seu povo
Repartindo seu saber.
Quando vais à quarta-feira
Trazes mais sabedoria
Já não falas noutra coisa
Se não na lição do dia.
Vais p´ras aulas
Vens das aulas
E com mais sabedoria
Foi uma batalha, uma guerra
Era o povo quem vencia
Descobrimos meio mundo
Por terras de além-mar
Mas foi D. João II
Dos maiores a reinar.
É professor documentado
E com dom p'ra se expressar
A história da nossa terra
Para todos veio contar.
Campo Maior és grande
Pois teus filhos te engrandecem
Com o orgulho do teu povo
Todos juntos te enaltecem.
Vais p´ras aulas
Vens das aulas
E com mais sabedoria
Foi uma batalha, uma guerra
Era o povo quem vencia
Descobrimos meio mundo
Por terras de além-mar
Mas foi D. João II
Dos maiores a reinar.
Letra de Maria de Lourdes Silva Furtado Pinheiro, com música de Quim Barreiros
Poemas de final de ano
1.
Ainda bem que já temos
No nosso Campo Maior
Uma bela Academia
Universidade Sénior.
2.
Para os senhores professores
Hoje, dia de Camões,
O nosso agradecimento
e as nossas felicitações.
3.
Temos no nosso blogue
Informática a fundo
Em menos de oitenta dias
Damos uma volta ao mundo.
4.
Amar a língua materna
É lermos cada vez mais
Camilo, Pessoa ou Eça
Ou mesmo os policiais.
5.
Cuidados paliativos
Missão de humanizar
Grandes males grandes remédios
Para a dor suavizar.
6.
Com tela, pincéis e tintas
Gosto tanto do que faço
O meu sonho é ser Malhoa
Ou quem sabe, até Picasso.
7.
O meu pratinho tão velho
Estalado que nem um ovo
Tratadinho, restaurado
É agora um prato novo.
8.
A primeira descoberta
Nas nossas lições de História:
Vestígios do calcolítico
No alto de Santa Vitória.
9.
Acampamento romano
Chamado Campus Major
Teria sido a raiz
Do nome de Campo Maior.
10.
Do nosso rei D. Dinis
À Guerra Peninsular
Foi o percurso de um ano
Que estamos a festejar.
11.
Duas rosas eu escolhi
No jardim pela manhã
Uma para a Umbelina Mata
Outra para Emília Marchã.
12.
Quis trazer do meu quintal
Flores de malvarisco
Para oferecer ao casal
Júlia Galego e Francisco.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Viagem de final de ano - Trujillo
Entre os seus primitivos habitantes figuraram os lígures dos quais temos escassas referências. Depois vieram os cempsi autores de estelas sepulcrais de misterioso significado. Na Idade do Ferro, os vetões, povo de origem celta que colaborou com Viriato, chefe dos lusitanos, na luta contra os invasores romanos. Seguiram-se os povos ditos bárbaros que destruíram o poder político de Roma sem ter apagado os traços essenciais da sua acção civilizadora. Finalmente, os árabes que deixaram marcas importantes e profundas da sua presença.
Trujillo situa-se a uma altitude de 564 m e a 42 km de Cáceres. É a terra natal do conquistador do Peru, Francisco Pizarro. Em 1962 foi declarada Cidade Monumental Histórico-Artística e apresentou a sua candidatura a Património da Humanidade.
No ano de 206 a.C. dependia de Norba Caesarina (Cáceres). Os romanos chamaram-lhe "Turgalium" que significa sem água. Os árabes conquistaram-na em 714 passando a chamar-se "Torgiela ou Taryala". Em 1186 o rei de Castela Afonso VIII reconquistou-a doando-a às ordens militares. Os almóadas recuperaram-na mais tarde, tendo sido o rei Fernando III, o Santo, em 1232, que a recuperou de novo, ficando definitivamente incorporada na coroa de Castela, passando a chamar-se "Truxellum”.
A nobreza trujilhana financiou a primeira viagem de Colombo à América. Trujillo alcançou então o seu máximo esplendor, pois que, os descobridores trouxeram grandes riquezas do Novo Mundo descoberto.
A Plaza Mayor, a Casa onde nasceu Francisco de Pizarro, o castelo, algumas igrejas, o Museu do Traje (museu pequeno, mas muito curioso pois nele se podem observar modelos dos vestidos que fizeram brilhar as famosas de todo o mundo) e alguns palácios, como a Casa Fortificada dos Escobar (localizada junto à Porta de Santo André, construída no século XV e restaurada no século XVI), a Casa Fortificada da Cadeia (localizada na Plaza Mayor, construída no século XV, restaurada no século XIX, tendo sofrido muitas transformações),a Casa Fortificada de Luís Chaves, o Velho (construída junto à porta de Santiago, no século XIV, reconstruída em finais do século XV), a Casa Fortificada dos Altamirano (a torre foi construída no século XIII e reconstruída em finais do século XVI), a Casa Fortificada dos Berajanos (construída junto ao Arco do Triunfo no século XIII, reconstruída em finais do século XV), a Muralha Urbana de Trujillo (construída no século IX, reconstruída no século X, reconstruída no séc. XI e ampliada nos séculos XIII, XV e XVI).
ALGUMAS DAS FIGURAS NOTÁVEIS DE TRUJILLO:
Estátua equestre de Francisco Pizarro, na Plaza Mayor
Francisco Pizarro, fundador de Lima; García de Paredes, fundador da cidade de Trujillo na Venezuela; Francisco de Orellana, descobridor do rio Amazonas; Nuno de Chaves, fundador de Santa Cruz de Bolívia, e Francisco de las Casas, um dos primeiros povoadores do México, entre outros. Fruto desta importante presença na empresa americana, são as abundantes riquezas monumentais existentes em Trujillo, declaradas Conjunto Histórico e Artístico.
O grupo que participou na viagem
Viagem de final de ano - Montánchez
Vista de Montánchez. A torre da igreja está isolada do edifício do templo.
A Plaza Mayor
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Visita ao Museu do Café
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Visita ao Palácio do Visconde de Olivã
Vista parcial do Jardim do Palácio do Visconde de Olivã.
domingo, 16 de março de 2008
Novo Blogue
quinta-feira, 6 de março de 2008
Poesia e Saias de Campo Maior
A apresentação esteve a cargo do Dr. Francisco Galego.
Nos seus poemas encontramos um lirismo apaixonado pelas coisas da natureza, um sentimento romântico pelos afectos, uma sofrida mágoa e algum desencanto face aos desencontros e sobressaltos da vida.
Por muitas razões, trata-se de uma poesia que não pode ser considerada como popular, porque é muito pessoal, muito intimista e, formalmente muito elaborada.
Em grande parte dos seus poemas, constatamos que, Lurdes Almeida utiliza uma maneira ao mesmo tempo muito bela e muito pessoal de dialogar com o divino. Ou seja, por vezes, os seus poemas são, acima de tudo, uma maneira muito própria e íntima de rezar.
Mas é sem dúvida uma poesia onde as raízes populares ainda estão presentes. Sobretudo, quando, em quadras muito bem estruturadas, tanto no que respeita à rima, como na singeleza das palavras e das imagens que usa, através das quais expressa esse sentir dorido, apaixonado e encantado que, tanto o povo, como os poetas, têm perante a vida. Exemplifico com esta linda quadra extraída de um poema seu e que bem podia ser cantada em toada de “Saias”:
Deitei a pena a voar,
Pelo campo ao deus-dará;
Novo ninho há-de encontrar,
E a pena descansará."
Nestes poemas, umas vezes predomina a ironia, outras vezes, são mais descritivos tornando-se narrativas de factos extraordinários, expressando a maneira como o poeta popular explica a organização do mundo e a sua existência, tomando também, por vezes, a feição de crítica de costumes com uma intenção nitidamente moralista.
A estrutura formal é completamente diferente da das quadras de “saias”. Nas “décimas”, aparece primeiro uma quadra a que se chama mote, único elemento destes poemas em que existe alguma semelhança com as quadras do “cantar as saias”.
Seguem-se depois quatro estrofes de dez versos (“décimas”). Na sua forma mais perfeita, cada uma dessas estrofes acabará com o verso que, aparece pela mesma ordem na quadra de mote. Assim, o primeiro verso do mote é o último da primeira “décima”, o segundo verso do mote é o último verso da segunda décima, e assim sucessivamente, até que o último verso do mote terá de ser o último verso da última “décima”.
No mote a rima é do tipo a,b,c,b ou a,b,a,b. As “décimas” seguem o esquema a,b,b,a,a,c,c,d,d,c.
Mote
A mulher com quem eu casei,
Sempre viveu farta e cheia;
Mandava-a temperar a açorda,
Com as “cordalhas” da candeia.
I
Não via a cor ao dinheiro,
Com isso era estimada,
Muitas vezes era escovada,
C’uma escova de marmeleiro.
Isto é que é o verdadeiro,
Mentiras nunca as direi,
Uma saia lhe comprei,
Ao fim de casado dez anos.
Vendeu tripas aos milhanos,
A mulher com quem casei
II
Um ano matei-lhe um porquinho,
Que não pesava uma grama,
Para comer teve fama,
Ainda lhe sobrou toucinho.
Comia muita carne e bebia muito vinho,
Quando chegava em casa alheia,
Se pedia uma boa ceia,
Em recompensa dava-lhe um tombo,
De água nos olhos e lenha no lombo,
Sempre viveu farta e cheia.
III
Uma vez chamava-lhe filha,
Outra vezes era “canorsa”,
A cama era de palhoça,
Levantava-a com uma forquilha.
Como ninguém ela brilha,
Isso posso eu afirmar,
Fome nunca a deixei passar,
Mas sempre desviada da fartura,
Com a sombra da gordura,
Manda-a temperar o jantar.
IV
Era uma boa sujeita,
Disso posso eu dar sinais,
Do que via comer às mais,
Ficava ela satisfeita.
Era de barriga estreita,
Escassa como uma centopeia,
Não enchia tripa e meia,
Mandava-lhe temperar a açorda,
Com as “cordalhas” da candeia.
( Declamado por: José Francisco Toureiro Rúbio)
Manuel Paio dizendo décimas
Seguiu-se a apresentação do cantar as Saias.
Até há cerca de meio século, a população do Alentejo, na sua grande maioria ligada aos trabalhos agrícolas, vivia em comunidades muito isoladas e muito autónomas. As dificuldades dos transportes, a ausência de estradas capazes e de outros meios de comunicação, o povoamento escasso e muito concentrado, constituíam factores que geravam o grande isolamento das povoações. Nestas condições, as tradições mantinham-se e propiciavam o desenvolvimento de formas próprias de comportamento colectivo.
No “cantar as saias”, com as suas ironias, os seus sarcasmos e as suas sentenças singelas, podemos encontrar a expressão da moralidade, da mundividência, das concepções religiosas, dos sentimentos de mágoa e de revolta ou dos afectos da gente simples que vivia nesses universos quase fechados que eram as cidades, vilas e aldeias alentejanas até à primeira metade do século XX.
As “saias” foram uma expressão cultural colectivamente criada e perpetuada por comunidades rurais. O acentuado carácter de produção colectiva não excluía, contudo, que as cantadeiras e os cantadores mais afamados, construíssem e conservassem o seu próprio repertório, ao qual iam acrescentando novas quadras criadas pelo engenho da sua inspiração.
O gosto popular foi esquecendo as menos apreciadas, ou porque eram vulgares, ou porque não eram perfeitas na sua construção. As outras, as que caíam fundo no gosto colectivo, eram repetidas até à exaustão e, assim, foram conservadas ao longo do tempo, passando de geração em geração. Ainda hoje, em Campo Maior, ouvimos cantar – nas arruadas dos grupos que se formam de modo mais ou menos espontâneo e nos bailes de roda que ocupam os cruzamentos de ruas – quadras que, com alguma surpresa, podemos encontrar em documentos escritos há mais de cem anos. Essas quadras constituem autênticas relíquias desta velha tradição. Muitas delas conservaram-se sem modificação da sua forma original. Outras foram sendo adaptadas às novas condições que se foram gerando na sociedade local.
Há quadras que se conservaram na mesma família atravessando sucessivas gerações de cantadores. Mas a inovação é constante como é próprio das manifestações de cultura popular que se mantêm vivas. E as “saias” são, em Campo Maior, tradição e vivência actual, ainda muito presente na vida desta comunidade alentejana.
Em Campo Maior poucos serão os que as conseguem cantar de forma notável. Mas, praticamente todos os campomaiorenses são capazes de as trautear. Elas fazem parte da sua cultura, pois cresceram a ouvi-las e, de forma natural, foram-nas memorizando. A maioria dos campomaiorenses sabe de cor, pelo menos algumas das quadras mais frequentemente cantadas. Aliás, esta situação foi bem retratada pelo inspirado canto de anónimos cantadores campomaiorenses, há mais de cem anos:
Isto do cantar é veia,
Que Deus deu às criaturas;
Quem não sabe tatareia, [1]
Com’os cegos às escuras.[2]"
[1] Tatareia - de tátaro, gago, que fala com dificuldade.
[2] Publicada em A Sentinella da Fronteira, nº 251, Elvas, 26 de Agosto de 1883, recolha de A. T. Pires."
As senhoras que cantaram as Saias, acompanhando o canto com pandeiretas e castanholas.